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Impactos do Split Payment no Caixa e no Planejamento Financeiro

Com a implementação da Reforma Tributária e a instituição do IBS e da CBS, entra em operação o mecanismo de Split Payment, que altera de forma relevante o fluxo financeiro das empresas.

Nesse modelo, o valor dos tributos deixa de ser recebido pela empresa e passa a ser retido automaticamente no momento do pagamento da operação, sendo enviado diretamente ao fisco. Assim, o valor do faturamento não ingressa mais no caixa de forma bruta, mas já líquido dos impostos.

O que isso representa na prática?

Atualmente, muitas empresas utilizam o intervalo entre o recebimento e o recolhimento dos tributos como capital de giro temporário. Com o Split Payment, esse fôlego deixa de existir. Mesmo mantendo o mesmo volume de vendas, pode ocorrer redução no caixa disponível, afetando diretamente:

• Gestão de estoques e compras; • Capacidade de negociação com fornecedores; • Pagamento de folha e despesas operacionais; • Planejamento para sazonalidades.

Esse impacto tende a ser mais significativo em empresas com margens reduzidas ou alto giro de mercadorias.

O novo modelo amplia o direito ao crédito fiscal, porém esse crédito não representa entrada imediata de recursos.

Enquanto o governo recebe sua parte no ato, a compensação do crédito ocorre ao longo das operações futuras, podendo gerar descasamento de caixa.

Para minimizar riscos e manter equilíbrio financeiro, recomendamos:

  • Revisão da formação de preços, considerando a retenção automática dos tributos.
  • Reestruturação dos prazos de recebimento e pagamento, especialmente em vendas a prazo e contratos contínuos.
  • Atualizar e parametrizar os sistemas para permitir o cálculo, registro e repasse automáticos do IBS e da CBS, assegurando integração com as plataformas do fisco..
  • Reavaliar políticas comerciais, buscando alongamento de prazos com fornecedores e, se necessário, antecipação de recebíveis para manutenção da liquidez.
  • Com o Split Payment, o imposto passa a ser uma variável direta de caixa, e não apenas de apuração. Isso requer uma abordagem integrada entre as áreas fiscal, contábil e financeira, além de reforço em controles, automação e previsibilidade de indicadores.